Tomei conhecimento desta história de um “Marine” e achei-a interessante para a dar a conhecer. É uma experiência de vida muito fora do normal!

“ Corria o ano de 2004 e estava eu perto de Fallujah (Iraque) a bordo de um veículo de combate Humvee, com uma metralhadora de calibre .50 nas mãos.
No decorrer de uma patrulha nocturna, vimo-nos envolvidos numa escaramuça em que voavam rockets de RPG´s, fogo de morteiros e de armas ligeiras por todos os lados. O ataque foi tão forte que pensei imediatamente que era o meu fim. Carreguei no gatilho e despejei fogo para onde me parecia vir o ataque.
De repente, explodiu a um metro de mim um rocket que me deixou inanimado e muito mal tratado. Tive a sorte de poder ser evacuado em estado de coma, mas com vida, para os E.U.A. Estive nessa situação de coma 18 dias e fiquei sem metade do pulmão esquerdo, perda parcial de visão, estilhaços pelo corpo, queimaduras de 2º grau, perda parcial de audição, ruptura do estômago, intestinos e baço, etc., etc.,etc.
Iniciei a recuperação lentamente e após quatro meses no hospital pude continuar a fazê-la em casa. Mal cheguei, o meu pai morreu durante o sono de ataque cardíaco! O meu mundo ruiu. Fiquei devastado. Regressei ao hospital no Texas e tentei estabilizar a minha cabeça para conseguir sobreviver.
Entrei na Universidade depois de reformado dos Marines por problemas graves de saúde, estava agora com 20 anos! (Tinha 19 quando fui ferido).
Aos 22 acabei o bacharelato, comecei a trabalhar a 100% vendendo motas, tinha casa própria e até uma noiva!
O problema é que não estava feliz e tinha algumas questões transcendentais a necessitarem de ser resolvidas. Quem, alguém como eu, saiu das profundezas e teve uma segunda existência, não pode ter uma vida rotineira igual à de outras pessoas. Seria um desperdício. Um dia o meu irmão telefonou-me e disse-me: larga tudo e vem dar uma volta ao mundo comigo num barco à vela! Respondi-lhe de imediato: É para já!
Nenhum de nós tinha jamais posto um pé num barco à vela! Comecei de imediato a investigar tudo sobre o assunto na net e decidi envolver-me no projecto sem olhar para trás. Cinco dias mais tarde coloquei a casa à venda, desfiz o noivado e disse ao meu patrão que assim que vendesse a casa o deixaria. Três meses mais tarde já a tinha vendido e estava em S. Diego a bordo de um 41 pés de 1961, completamente equipado para navegação oceânica. Tinha painéis solares, gerador eólico, leme de vento, rádioSSB, dessalinizador, etc. etc. Aprendi a velejar com ajuda de bons amigos, a reparar e fazer manutenção a quase tudo o que existia a bordo. Seis meses depois saí em solitário de S.Diego em direcção ao Hawai, local onde o meu irmão vive.
Comecei a ter alguns problemas que fui ultrapassando, como é normal a quem navega longe da costa. A 7 de Outubro, a “depressão tropical 15-E” começou a evoluir de maneira preocupante. Na manhã seguinte passou a chamar-se “tempestade tropical Norbert”. As condições agravaram-se rapidamente e os ventos ultrapassavam 30 nós com ondas de 3º andar. Rizei velas, ajustei o leme de vento e continuei a progressão. Só que as coisas iam de mal a pior em termos meteorológicos. Em 16 horas a borrasca passou a ser um tufão de categoria 4. No dia 8 a cerca de 50 milhas de distância de mim, uma tripulação de um iate de 46 pés estava a ser evacuada, abandonando o barco devido ao perigo em que estavam. Apesar do meu barco singrar normalmente, de repente, quando estava a tentar alimentar-me na cozinha, deu uma cambalhota e ficou desgovernado. Saltei cá fora e que raio, não consigo metê-lo no rumo…Estou SEM LEME!
O leme de vento também estava partido pelo meio! Penso que bati nalgum OFNI ou baleia ou lá o que era para me ter desaparecido o leme. E agora? A NOOA anunciava na zona 50-60 nós de vento e ondas de 10-12 metros! Nunca tinha visto nem voltei a ver nada semelhante!
Estava a 800 milhas da terra mais próxima e sem governo. Tentei manter a calma e governar só com as velas, com uma âncora flutuante, com um cabo pela ré, com a metade inteira do leme de vento e outros artifícios, mas sem resultado. Isto durante umas loooongas 13 horas. Nesta altura já ia na tarde do dia seguinte e a tempestade tinha acalmado ligeiramente. Arranquei a porta do banheiro para tentar fazer uma pá de leme aparafusada ao pau de spi, mas não consegui resultado satisfatório. É mais fácil dizer do que fazer.
Através do SSB fui informado que um cargueiro a passar nas proximidades poderia recolher-me se assim o desejasse. Demorei algum tempo a pensar sobre o assunto e vista a realidade da situação seria leviandade se não respondesse afirmativamente. O meu barco nas últimas 48 horas tinha feito dois knock downs, estava danificado e sobretudo sem leme. Que mais poderia fazer sozinho a bordo? Isto significava que tinha de ABANDONAR o MEU BARCO com tudo o que tinha de meu, no meio de um oceano, na minha primeira viagem. É uma resolução extremamente difícil de tomar, mas é a vida… Cinco horas depois o “ M/V Vecchio Bridge” chegou para me recolher.
A aproximação foi violenta, partindo de imediato um vau e dois brandais e entortando o mastro. Depois quase me deixaram cair à água. Usaram as máquinas para nova aproximação. Decidi atirar-me à água e agarrar a bóia e o cabo que me lançaram, sendo içado por três filipinos. Ainda tive tempo para ser atingido por um painel solar do meu barco, que entretanto estava a ser sacudido contra o navio! Fiquei um bocado amachucado! Passei 12 dias a bordo de um cargueiro, na companhia de 17 Filipinos e 4 Coreanos que se mostraram muito profissionais, mas frios q.b. Um agradecimento grande para o Com.Kyun e para a Comp. de Nav. Fukujin Kisen que me salvaram a vida. A 21 de Out. de 2008 desembarquei em Xangai. Como não tinha visto, apenas podia ali estar por 24 horas pelo que tive de voar para Hong Kong. Aí comecei à procura de um barco! Como só tinha $3000 na conta tratei junto do consulado de regularizar a minha situação e…comprei uma bicicleta para explorar o país a pedal!
Passei os dois meses seguintes a conhecer a região, participar em regatas em barcos locais, trabalhar um pouco para amealhar mais uns cobres e preparar a próxima viagem. No dia 1 de Jan 2009 deixei Hong Kong e pedalei através da China, Vietname, Cambodja e Tailândia. 58 dias e cerca de 4500 Km. Como não consegui visto para a Birmânia, apanhei um voo para Calcutá na Índia, por onde pedalei no mês seguinte (mais 1800 Km). O Paquistão estava a entrar em complicações e o Sr. Ahmadinejad não me deu o visto que lhe solicitei para o visitar…, pelo que dei um novo salto aéreo, desta vez até à Turquia, mas com escala…em Teerão. Não entrei no país dos “Ayatolas” mas ao menos pisei o chão.
Passei 12 dias em Istambul e segui depois Europa fora com Londres como destino seguinte. Da Turquia segui pela Grécia, Bulgária,Sérvia,Hungria,Eslováquia, Áustria, Alemanha, Holanda,(fui à vela para a Bélgica a bordo de um Swan 43 de um amigo de Hong Kong), Bélgica e França. Aqui apanhei um ferry de Calais para Dover. Num dia cheguei a Londres a pedal. No segundo dia nesta cidade roubaram-me… a bicicleta que me tinha acompanhado desde a China! Comprei uma usada e decrépita por $200 e meti-me a caminho de uma base aérea americana em Mildenhall. Apanhei um avião da US Air Force (maneira mais barata de um ex-militar americano viajar) e num par de horas estava de volta aos States, mais concretamente S.Francisco. Passei o primeiro fim-de-semana a andar à vela com amigos na baía local, antes de rumar ao sul do estado. Uma semana a pedalar costa abaixo e finalmente cheguei a casa (28/7/2009) em S. Diego, meu ponto de partida!
Resumindo: 12 800 Km a pedalar, 800 milhas a navegar, um barco perdido, uma bicicleta roubada, e 21 países visitados! Fiz uma bela de uma volta ao mundo em dez meses!
Ronnie Simpson “







Acontece, quando a temperatura da água do mar é superior à do ar e existe uma massa nebulosa muito grande, que se desenvolve desde a superfície até aos 10 000 m ou mais. Os ventos podem atingir os cinquenta nós no rodopio. Dado que a sua deslocação é lenta, qualquer embarcação na zona tem normalmente tempo de se afastar.



