sábado, 7 de Novembro de 2009

Navegações... Uma volta ao mundo diferente

Uma volta ao mundo que começou à vela …e acabou de bicicleta!

Tomei conhecimento desta história de um “Marine” e achei-a interessante para a dar a conhecer. É uma experiência de vida muito fora do normal!


“ Corria o ano de 2004 e estava eu perto de Fallujah (Iraque) a bordo de um veículo de combate Humvee, com uma metralhadora de calibre .50 nas mãos.
No decorrer de uma patrulha nocturna, vimo-nos envolvidos numa escaramuça em que voavam rockets de RPG´s, fogo de morteiros e de armas ligeiras por todos os lados. O ataque foi tão forte que pensei imediatamente que era o meu fim. Carreguei no gatilho e despejei fogo para onde me parecia vir o ataque.
De repente, explodiu a um metro de mim um rocket que me deixou inanimado e muito mal tratado. Tive a sorte de poder ser evacuado em estado de coma, mas com vida, para os E.U.A. Estive nessa situação de coma 18 dias e fiquei sem metade do pulmão esquerdo, perda parcial de visão, estilhaços pelo corpo, queimaduras de 2º grau, perda parcial de audição, ruptura do estômago, intestinos e baço, etc., etc.,etc.
Iniciei a recuperação lentamente e após quatro meses no hospital pude continuar a fazê-la em casa. Mal cheguei, o meu pai morreu durante o sono de ataque cardíaco! O meu mundo ruiu. Fiquei devastado. Regressei ao hospital no Texas e tentei estabilizar a minha cabeça para conseguir sobreviver.
Entrei na Universidade depois de reformado dos Marines por problemas graves de saúde, estava agora com 20 anos! (Tinha 19 quando fui ferido).
Aos 22 acabei o bacharelato, comecei a trabalhar a 100% vendendo motas, tinha casa própria e até uma noiva!
O problema é que não estava feliz e tinha algumas questões transcendentais a necessitarem de ser resolvidas. Quem, alguém como eu, saiu das profundezas e teve uma segunda existência, não pode ter uma vida rotineira igual à de outras pessoas. Seria um desperdício. Um dia o meu irmão telefonou-me e disse-me: larga tudo e vem dar uma volta ao mundo comigo num barco à vela! Respondi-lhe de imediato: É para já!
Nenhum de nós tinha jamais posto um pé num barco à vela! Comecei de imediato a investigar tudo sobre o assunto na net e decidi envolver-me no projecto sem olhar para trás. Cinco dias mais tarde coloquei a casa à venda, desfiz o noivado e disse ao meu patrão que assim que vendesse a casa o deixaria. Três meses mais tarde já a tinha vendido e estava em S. Diego a bordo de um 41 pés de 1961, completamente equipado para navegação oceânica. Tinha painéis solares, gerador eólico, leme de vento, rádioSSB, dessalinizador, etc. etc. Aprendi a velejar com ajuda de bons amigos, a reparar e fazer manutenção a quase tudo o que existia a bordo. Seis meses depois saí em solitário de S.Diego em direcção ao Hawai, local onde o meu irmão vive.
Comecei a ter alguns problemas que fui ultrapassando, como é normal a quem navega longe da costa. A 7 de Outubro, a “depressão tropical 15-E” começou a evoluir de maneira preocupante. Na manhã seguinte passou a chamar-se “tempestade tropical Norbert”. As condições agravaram-se rapidamente e os ventos ultrapassavam 30 nós com ondas de 3º andar. Rizei velas, ajustei o leme de vento e continuei a progressão. Só que as coisas iam de mal a pior em termos meteorológicos. Em 16 horas a borrasca passou a ser um tufão de categoria 4. No dia 8 a cerca de 50 milhas de distância de mim, uma tripulação de um iate de 46 pés estava a ser evacuada, abandonando o barco devido ao perigo em que estavam. Apesar do meu barco singrar normalmente, de repente, quando estava a tentar alimentar-me na cozinha, deu uma cambalhota e ficou desgovernado. Saltei cá fora e que raio, não consigo metê-lo no rumo…Estou SEM LEME!
O leme de vento também estava partido pelo meio! Penso que bati nalgum OFNI ou baleia ou lá o que era para me ter desaparecido o leme. E agora? A NOOA anunciava na zona 50-60 nós de vento e ondas de 10-12 metros! Nunca tinha visto nem voltei a ver nada semelhante!
Estava a 800 milhas da terra mais próxima e sem governo. Tentei manter a calma e governar só com as velas, com uma âncora flutuante, com um cabo pela ré, com a metade inteira do leme de vento e outros artifícios, mas sem resultado. Isto durante umas loooongas 13 horas. Nesta altura já ia na tarde do dia seguinte e a tempestade tinha acalmado ligeiramente. Arranquei a porta do banheiro para tentar fazer uma pá de leme aparafusada ao pau de spi, mas não consegui resultado satisfatório. É mais fácil dizer do que fazer.
Através do SSB fui informado que um cargueiro a passar nas proximidades poderia recolher-me se assim o desejasse. Demorei algum tempo a pensar sobre o assunto e vista a realidade da situação seria leviandade se não respondesse afirmativamente. O meu barco nas últimas 48 horas tinha feito dois knock downs, estava danificado e sobretudo sem leme. Que mais poderia fazer sozinho a bordo? Isto significava que tinha de ABANDONAR o MEU BARCO com tudo o que tinha de meu, no meio de um oceano, na minha primeira viagem. É uma resolução extremamente difícil de tomar, mas é a vida… Cinco horas depois o “ M/V Vecchio Bridge” chegou para me recolher.
A aproximação foi violenta, partindo de imediato um vau e dois brandais e entortando o mastro. Depois quase me deixaram cair à água. Usaram as máquinas para nova aproximação. Decidi atirar-me à água e agarrar a bóia e o cabo que me lançaram, sendo içado por três filipinos. Ainda tive tempo para ser atingido por um painel solar do meu barco, que entretanto estava a ser sacudido contra o navio! Fiquei um bocado amachucado! Passei 12 dias a bordo de um cargueiro, na companhia de 17 Filipinos e 4 Coreanos que se mostraram muito profissionais, mas frios q.b. Um agradecimento grande para o Com.Kyun e para a Comp. de Nav. Fukujin Kisen que me salvaram a vida. A 21 de Out. de 2008 desembarquei em Xangai. Como não tinha visto, apenas podia ali estar por 24 horas pelo que tive de voar para Hong Kong. Aí comecei à procura de um barco! Como só tinha $3000 na conta tratei junto do consulado de regularizar a minha situação e…comprei uma bicicleta para explorar o país a pedal!
Passei os dois meses seguintes a conhecer a região, participar em regatas em barcos locais, trabalhar um pouco para amealhar mais uns cobres e preparar a próxima viagem. No dia 1 de Jan 2009 deixei Hong Kong e pedalei através da China, Vietname, Cambodja e Tailândia. 58 dias e cerca de 4500 Km. Como não consegui visto para a Birmânia, apanhei um voo para Calcutá na Índia, por onde pedalei no mês seguinte (mais 1800 Km). O Paquistão estava a entrar em complicações e o Sr. Ahmadinejad não me deu o visto que lhe solicitei para o visitar…, pelo que dei um novo salto aéreo, desta vez até à Turquia, mas com escala…em Teerão. Não entrei no país dos “Ayatolas” mas ao menos pisei o chão.
Passei 12 dias em Istambul e segui depois Europa fora com Londres como destino seguinte. Da Turquia segui pela Grécia, Bulgária,Sérvia,Hungria,Eslováquia, Áustria, Alemanha, Holanda,(fui à vela para a Bélgica a bordo de um Swan 43 de um amigo de Hong Kong), Bélgica e França. Aqui apanhei um ferry de Calais para Dover. Num dia cheguei a Londres a pedal. No segundo dia nesta cidade roubaram-me… a bicicleta que me tinha acompanhado desde a China! Comprei uma usada e decrépita por $200 e meti-me a caminho de uma base aérea americana em Mildenhall. Apanhei um avião da US Air Force (maneira mais barata de um ex-militar americano viajar) e num par de horas estava de volta aos States, mais concretamente S.Francisco. Passei o primeiro fim-de-semana a andar à vela com amigos na baía local, antes de rumar ao sul do estado. Uma semana a pedalar costa abaixo e finalmente cheguei a casa (28/7/2009) em S. Diego, meu ponto de partida!
Resumindo: 12 800 Km a pedalar, 800 milhas a navegar, um barco perdido, uma bicicleta roubada, e 21 países visitados! Fiz uma bela de uma volta ao mundo em dez meses!

Ainda não desisti é de acabar de a fazer À VELA… Já ando a trabalhar para comprar um barco e meter-me nisso…!!!

Ronnie Simpson “

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Troféu Porto de Lisboa




Realizou-se este Domingo, dia um de Novembro, mais uma edição do Troféu Porto de Lisboa.

Com o patrocínio da APL e organização da Ass. Naval de Lisboa, compareceram em Belém SETENTA E CINCO veleiros para disputarem uma das regatas mais concorridas do calendário nacional. O vento estava fraco e as largadas não decorreram da melhor forma dado que na classe ANC algumas embarcações que ficaram desventadas, descaíram com a corrente e não largaram antes do limite. São situações desagradáveis mas que acontecem. Irei propor ao clube que numa próxima oportunidade, de nove minutos que estava estabelecido, se passe para quinze.

No que toca ao Carioca, corremos em ORC 645, que corresponde aos mais pequenos da classe ORC. A nossa largada foi complicada porque logo a seguir ao tiro, o vento fraquejou e em vez de singrarmos para a bóia de desmarque, começámos a andar para trás com a corrente. Quando entrou vento de novo , estávamos na gare marítima de Belém ! ( a largada foi um quarto de milha a jusante) ! Dizem os livros que uma regata só acaba no fim e apesar de estarmos em último da frota lá começámos a andar. Rondada a bóia de desmarque, metemos o balão e aí fomos atrás da concorrência. Andámos tão bem que lá para o Alfeite já tínhamos passado muita gente. Rondada essa baliza subimos o rio ainda de spi mas ao largo e fomos direito à bóia seguinte. Outros barcos mais adiantados não a tinham bem referenciada e... perderam-se direitos à Expo. Assim adivinhem quem rondou em 1º essa bóia ali para os lados do Poço do Bispo? O CARIOCA! De volta para Belém, à bolina, fomos ultrapassados já na Junqueira pelo Golfinho M2 que viria a ganhar-nos por...11 segundos em tempo corrigido!

Golfinho M2 e Ideia Fixa ( ambos vencedores das respectivas classes)

Foi uma regata bem disputada e com muitas alterações de líder, o que deixou em dúvida até ao fim quais seriam os vencedores.

A entrega de prémios realizou-se no salão nobre ( com os murais do Almada Negreiros) da Gare Marítima de Alcântara. Foi servido um beberete e tive o prazer de dirigir algumas palavras à assistência para os saudar e agradecer também à APL o seu empenho neste evento. Nunca é de mais lembrar que para além dos troféus, há o sorteio entre todos os participantes, de um brinde que consiste numa isenção, por um ano e outra de seis meses, do pagamento da amarração nas docas da APL.


segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Troféu Aniversário ANC


Disputou-se este fim de semana o Troféu comemorativo do XVI aniversário da Associação Nacional de Cruzeiros (ANC) da qual o meu irmão é fundador. Era então Presidente da Direcção da Associação dos Pequenos Veleiros de Cruzeiro (APVC) e resolveu juntar a sua agremiação à Associação de Veleiros de Cruzeiro (AVC). A nova instituição passou a ser dirigida pela Dra. Júlia Torres por uns bons pares de anos.
Voltando ao Troféu, participaram nas duas regatas das várias classes, cerca de cinquenta veleiros, dos quais trinta em ANC-A.
As provas disputaram-se no Mar da Palha. Estava muito pouco vento e não foi fácil montar percursos com um mínimo de rigor desportivo. Se numa zona havia vento, logo uma milha mais além já tinha caído. Tanto no Sábado como no Domingo foram essas condições que prevaleceram.
Com esta meteorologia o Carioca costuma "boiar", pois só anda com mais de oito nós de vento.

Carioca em aproximação à meta um pouco à frente da frota


De qualquer forma, com muita perspicácia e alguma sorte conseguimos um 5º e um 2º lugares.


Na classificação geral ficámos em 2º mas em 1º da classe ! Eu explico. Como não havia participantes suficientes na classe E, foi o único concorrente, integrado na A. Feitas as contas ficou à frente de todos os participantes, mas como havia um troféu para a E, recebeu-o. Curioso é que é a segunda prova em que este barco - Libertino - participa e os seus novos proprietários ( é um Surprise e chamava-se anteriormente Tunana) parece que rapidamente começaram a tirar proveito das suas qualidades, sobretudo com ventos ligeiros.


Carioca a cortar a meta da 1ª regata

Nós ficámos com o 1º lugar da A e o troféu foi recebido num pequeno beberete realizado na sede da ANC ao fim da tarde.
Os lugares seguintes foram ocupados pelo "Gold Fin" e pelo "Harfang". O primeiro destes levava ao leme o sócio mais antigo da ANL ainda em actividade, Arriaga e Cunha de seu nome e que tem a provecta idade de 89 anos! O "Harfang" tem como skipper Jaime Roque, que já passou os 70 !

Harfang de spi com uma coruja e o Gold Fin com spi branco e riscas azuis

A vela de cruzeiro-regata é um desporto, que permite que com uma idade bem alta, ainda se consiga fazer desporto de competição com resultados de assinalar.

http://picasaweb.google.pt/album.anmpn/Regata_Torneio_ANC_Out_09?feat=email#

sábado, 24 de Outubro de 2009

MiniTransat IV - Transat 6,50



Vitória para o Francisco Lobato.


Apesar de ter chegado cerca de onze horas depois do primeiro a Salvador, conseguiu a vitória no somatório de tempos das duas etapas. Nesta entre o Funchal e Salvador foi segundo.

Há que salientar que percorreu mais 200 milhas do que o Charles Dalin. Não se limitou a seguir a ortodrómica ou a defender-se. Tentou fazer a sua prova optando por uma rota que lhe pareceu a mais favorável para apanhar os melhores ventos. Poder-lhe-ia ter saído caro, mas creio que está sempre a jogar ao ataque.

Deixo aqui uma saudação aos patrocinadores ( o primeiro foi o "paitrocínio"), preparadores, apoiantes e todos aqueles que de um modo ou outro se interessaram pela GRANDE travessia que ele fez. Veremos o que o futuro lhe reserva!

Tenho algum orgulho em que o Francisco seja sócio da A.N.Lisboa, onde o seu pai já foi presidente e onde o levou a iniciar-se nestas lides da vela.

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Mini Transat III - Transat 6,50

Os primeiros protótipos chegaram hoje a Salvador.
Venceu quem se soube desembaraçar melhor das calmarias do Equador e não cometeu erros na auto estrada dos alíseos de SE.

Esperamos ansiosamente, neste momento, pela chegada dos barcos de série. O Francisco Lobato tem feito nos últimos dias uma série de opções que o têm atrasado na classificação.
Veremos se consegue a vitória com a vantagem que traz da 1ª etapa.

Esta chegada a Salvador tem um especial significado para mim porque foi ali que, em 2000, realizei o meu sonho de fazer uma travessia Atlântica só à vela, tal como "seu" Cabral (perdoem-me a falta de modéstia).

Aqui ficam umas imagens da altura:
A primeira do Mariposa.
A segunda eu e o Miguel Lacerda a comer frutos tropicais e a beber as célebres caipirinhas oferecidas pelo Centro Náutico da Baía a quem chega em regata.
A terceira com uma Baiana com o traje típico local.
A quarta na companhia do grande navegador brasileiro Amyr Klink, que fez a viagem Lx-Rio incluído no cruzeiro comemorativo dos 500 anos da Descoberta, a bordo do seu barco "Parati I".


sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Tromba de Água

Ao contrário do que muita gente julga uma tromba de água não é um fenómeno que ocorra em terra. Dão-lhe vulgarmente esse nome, quando cai uma grande chuvada, mas erradamente.
Trata-se isso sim de uma espécie de tornado, formado no mar, mas com menor intensidade.
Acontece, quando a temperatura da água do mar é superior à do ar e existe uma massa nebulosa muito grande, que se desenvolve desde a superfície até aos 10 000 m ou mais. Os ventos podem atingir os cinquenta nós no rodopio. Dado que a sua deslocação é lenta, qualquer embarcação na zona tem normalmente tempo de se afastar.


Certa vez em princípios de Outubro, já lá vão mais de vinte anos, vinha eu o meu pai e o meu irmão de Vilamoura para Lisboa a bordo do "Rinel" (era um Zeeton V.de Stadt 26).
Ali ao largo de Sines, eram umas cinco da tarde, começa-se a desenhar uma senhora borrasca.


O céu cobriu-se com nuvens muito grossas e formaram-se umas bátegas que proporcionavam um espectáculo bonito mas ao mesmo tempo de meter respeito. Curioso é que vento havia pouco e o mar estava chão. De repente, começámos a ver a cerca de meia milha, uma pequena eferves-

cência na água que rapidamente começou a rodopiar e a subir na atmosfera até que atingiu a nuvem. Parecia uma mangueira a sugar água do mar! O barulho que se ouvia à distância era um ronco surdo. Ao fim de uns dez minutos começou a enfraquecer e desapareceu.

Ao chegar a casa contei aos meus filhos a experiência e tentei explicar-lhes o fenómeno que nunca tinha visto nem tão pouco ouvido falar.
Um deles, na escola secundária, contou a minha aventura à professora de Geografia e teve de enfrentar um comentário que ainda hoje guarda com rancor. A professora disse-lhe que o pai dele era um grande aldrabão porque tal coisa não existia na natureza. Ora vindo de alguém formado superiormente na matéria, causou um choque grande a um jovem de 14 anos que julgava que o pai não era mentiroso! Nem me dei ao trabalho de ir à escola pedir satisfações, não fosse perder a cabeça...

Muitos anos mais tarde tive oportunidade de mostrar aos meus filhos umas fotos como as que vão junto para demonstrar que falava verdade.

Como podem ver neste vídeo feito pela tripulação do STP 65 Rosebud durante o treino para a Middle Sea Race 2009.


terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Mini Transat III (Transat 6.5 m)


Foto tirada ontem pelo barco acompanhante " Max Havelaar"

O Francisco Lobato segue neste momento em 4º dos barcos de série, a cerca de 15 a 20 milhas do trio da frente.
Optou, depois de passar Cabo Verde, por um rumo mais a Oeste do que a restante frota. Veremos se foi uma aposta ganha.
Curiosamente o trio que o precede é composto pelos três velejadores que chegaram a seguir a ele ao Funchal. Têm é de compensar as 22 horas que o Francisco lhes ganhou na chegada à Madeira, dado que no final conta o somatório dos tempos das duas etapas.
Estão a aproximar-se da zona de convergência intertropical, caracterizada habitualmente por ventos fracos. É na zona um pouco a Norte do Equador que se encontram os alíseos de NE com os de SE do Hemisfério Sul, formando uma faixa a que os franceses chamam "Pot au Noir" e os ingleses "Doldrums".
Nesta zona perturbada atmosfericamente, aparecem de repente umas quantas nuvens carregadas de água, de electricidade e de vento que causam estragos importantes nos barcos se os navegantes não agem com rapidez, adaptando o pano de acordo com o que vai surgir!

Lembre-se o que aconteceu ao Genuíno Madruga há meses, quando naquela zona partiu o mastro do seu Hemingway. Levou-o até aos Açores com uma armação de fortuna...


O calor nesta zona é muito intenso e o cuidado com as insolações deve ser enorme. O mesmo com a alimentação.

Passei por ali em regata em 2000 e lembro-me de uma enorme quantidade de sensações que ainda hoje estão presentes.
Tripulação do Mariposa assinala a passagem do Equador após uma chuvada
Assim, passávamos o tempo a despejar baldes de água salgada pela cabeça a baixo!
Quando vinha a tal nuvem carregada de água DOCE, aproveitávamos para tomar banho com champô e gel !
Não descurávamos a pesca, apesar de a amostra fazer alguma resistência ao avanço mas o estômago falava mais alto...

A agulha (bússola) não servia de muito porque a declinação magnética na zona chegou a acusar um desvio de...25º !!! Bendito GPS-Plotter. Quanto valor passei a dar aos navegadores de 500 !
Voltando ao Francisco, acho que até agora está a responder inteligentemente à concorrência que é muito forte. O velejador que segue em 1º desde o dia 5/10, foi o que lhe ganhou a TransGascogne há um par de meses! Tenhamos esperanças que a lotaria dos próximos dias sorria ao Francisco. É que, como me aconteceu em 2000, se o Francisco consegue apanhar uma das tais nuvens que vai na boa direcção, pode em poucas horas ganhar muitas milhas em relação à concorrência. Ele está bem afastado para Oeste e ia de momento a mais de oito nós quando os outros seguiam a seis!
Não gostava de terminar por hoje sem deixar uma palavra de apreço para os barcos acompanhantes da regata.
Por cada dez minis no início da prova há um barco acompanhante que vai sendo dirigido pela organização de forma a estar nas proximidades dos concorrentes.
É um trabalho que não se vê nem é mediatizado, mas garante a segurança dos velejadores em caso de perigo.
Faço ideia a satisfação dos concorrentes ao verem aparecer perto de si e depois de muitos dias de solidão total, um veleiro com uma palavra de conforto e de presença!